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“Voces de ébano” faz comunicação intercultural liderada por mulheres no Equador

Por: Hellowa Correa

Com a aprovação da constituição equatoriana em 2008, o país se declarou plurinacional e pluricultural. Esta era uma bandeira do movimento afro equatoriano há algum tempo, porém existiam algumas atividades que apresentavam uma história negra que a comunidade não concordava. Estas histórias eram trazidas por pessoas brancas. 

Com apenas 7,2% de negros no Equador  e uma história recente de atuação do movimento negro no país, em 2011 a lei orgânica de educação equatoriana foi promulgada. Semelhante às leis 10.639/03 e 11.645/08 do Brasil, a história dos povos negros, indígenas e camponeses deveria fazer parte da educação básica dos equatorianos como parte dos esforços do país para acabar com a discriminação racial contra os afro-equatorianos. A partir deste marco, a comunidade afro-equatoriana se mobilizou em realizar um projeto no qual incluía uma programação educativa em um formato de revista semanal. Assim surgiu Voces de Ébano.

Mama Yama, comunicadora e apresentadora do Voces de Ébano

O programa foi oferecido para diferentes rádios no país. Entretanto, a Rádio Católica da cidade de Cuenca aceitou a proposta e o primeiro programa foi exibido no dia 13 de janeiro de 2016. A Rede de Jornalistas Pretos perguntou à Mama Yama, uma brasileira, que adotou o Equador como casa há alguns anos, se houve algum conflito por se tratar de um programa pluricultural em uma rádio religiosa. 

Mama Yama, idealizadora e apresentadora do programa Voces de Ébano, vê a questão de maneira bastante positiva. “A Rádio Católica, em Cuenca, é transmitida a nível nacional e internacional. A ocupação de uma programação da comunidade negra do Equador também é uma forma de reparação.”  A revista semanal Voces de Ébano conta com ouvintes da China, países africanos, Estados Unidos, Brasil e outros vizinhos do continente latinoamericano. 

Nestes seis anos no ar, Voces de Ébano tem um compromisso com as histórias da comunidade negra que está ativa sem esquecer do legado dos que se foram. Como exemplo, já foram contadas histórias do capoeirista Besouro, de Zumbi dos Palmares, como Mamá Zoilita (figura importante da cultura afro equatoriana) como também personalidades da juventude negra. Tudo feito com muito respeito e cuidado com a história negra.

A Rede JP perguntou à Mama Yama quais são os planos para os próximos seis anos. A comunicadora respondeu que existe a possiblidade de retomar a ideia da revista semanal estar na televisão. Há um planejamento bastante avançado sobre um podcast contando a história afro equatoriana. Estamos ansiosos para escutar. Feliz aniversário, Voces de Ébano!

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