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Produção documental homenageia o jornalista Marcos Romão

Por: Maria Eduarda Abreu.

O documentário de 10 minutos é baseado em dois arquivos do Acervo Digital de Cultura Negra Brasileira (CULTNE), com imagens de Marcos Romão nos anos 80, além de um depoimento  em áudio e imagem do jornalista. Romão é o 28º filme e 26º curta-metragem finalizado do diretor Clementino Junior, ampliando uma trajetória cinematográfica que trata do que o cineasta denomina como cinema da diáspora africana.

O curta faz parte de uma série de webdocs chamada Pretérito, projeto em que Clementino pretende captar a memória de personalidades importantes para a cultura e história do Brasil com intuito de trazer esperança às lutas do povo preto. Segundo Clementino, após ser convidado por Marcos Romão para apresentar seu documentário Anamnese, decidiu que o jornalista seria o nome de estreia ideal para o formato.

Clementino Júnior é responsável pelo documentário

 “Gravei com ele minutos antes da exibição cineclubista, e guardei o material durante um tempo. A proposta era que Marcos fizesse uma reflexão breve sobre os desafios da luta antirracista, em seu olhar, do período da abertura política onde ele se destacou dentre vários nomes na militância negra até o período pré-eleição do atual presidente, onde o conservadorismo, a queda da Dilma e a perseguição a Lula pela Lava Jato já anunciavam os tempos difíceis”, explica o diretor.

Sociólogo e jornalista, Marcos Romão, foi um importante nome para a militância e para o jornalismo preto e independente no Brasil. Ativista dos Direitos Humanos fundou a rádio Mamaterra onde denunciava o tráfico de mulheres, o racismo e outras violências. Faleceu em 2018, aos 65 anos, deixando mulher e 4 filhos. “Por ser um projeto independente, quando retomei a construção do documentário e fiz o primeiro corte, ele fez sua passagem para o Orum, e fiz na semana seguinte uma exibição do primeiro corte no aniversário do CAN – Cineclube Atlântico Negro, com a presença da família”, comenta Clementino Jr. 

Segundo o cineasta, o filme não se compromete a ser biográfico, mas a expressão do pensamento de um sociólogo acerca do momento em que o Brasil vivia em 2017, com um olhar otimista sobre esse cenário. “Não é ignorar o racismo, nem a necropolítica, mas exaltar a potência da comunidade preta para virar o jogo”, explica. Outros episódios da série trazendo novas personalidades devem ser lançados ainda este ano.

De acordo com Clementino, o curta está em fase de distribuição para festivais de cinema  e aguardando o resultado das curadorias, em agosto ocorrerá uma pré-estréia em Niterói, no Rio de Janeiro, com data ainda a definir. Informações sobre a data das exibições e próximos lançamentos podem ser encontradas nas redes sociais do  CAN – Cineclube Atlântico Negro que foi fundado e é administrado desde 2008 pelo diretor.

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