Rede JP pelo mundo: Anteddy Achille, da República do Burundi, fala sobre o jornalismo em região de conflitos

Marcelle Chagas

Localizado próximo à nascente do famoso Rio Nilo, fundamental para o desenvolvimento da sociedade egípcia, a República do Burundi é o país da África em que vive o jornalista  Anteddy Achille Niragira de Bujumbura, profissional independente trabalhando frequentemente com mídias internacionais, especialmente a Deutsche Welle da Alemanha, e como fundador/diretor da A-ACOMEC (Académie de Consultance em Médias et Communication) em comunicação de mídias.

A história do país que possui 11, 5 milhões de habitantes é marcada por conflitos internos, o que reflete na atuação jornalística, dificultando o exercício da profissão. Burundi ocupa o número 147° da Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa em 2021. “Este país vem enfrentando crises sociopolíticas desde sua independência em 1961. Durante esses anos, as pessoas deixaram o país em grande quantidade, por isso existem refugiados burundineses pelo mundo. Então, ser jornalista nessas condições é sempre difícil. Sem liberdade de imprensa real, sem liberdade de expressão real, a censura é a realidade para as mídias locais. Jornalistas de emissoras internacionais são os que pelo menos fazem o melhor. Os locais estão investindo em entretenimento e falando sobre as atividades dos oficiais para protegê-los da prisão.”- fala Anteddy-Achille.

Anteddy Achille Niragira é coordenador da República do Burundi na Panafrican Caucus of Journalists

Apesar de toda a dificuldade no exercício da profissão em seu país, o jornalista afirma categoricamente que é necessário entender a função social do jornalismo e sua importância para promover mudanças.”Em todas as mudanças feitas ao redor do mundo, as mídias desempenharam um papel de parramount. Quero dizer que o papel das mídias e revistas em influenciar positivamente os tomadores de decisão e incitá-los a mudar as coisas. Além disso, eles permitem que todos saibam o que está acontecendo em qualquer lugar e as pessoas também vêm para influenciar os líderes para mudanças na política e em todos os outros setores, por exemplo, quando eles manifestam.As mídias são a verdadeira fonte de inspiração dos líderes políticos para fazer mudanças.” 

Mesmo com a instabilidade econômica e insegurança alimentar, refugiados estão voltando para Burundi. De acordo com a ONU desde 2017 pelo menos 145.000 refugiados foram ajudados em sua volta para casa. A pandemia da COVID-19 também foi um desafio para o país que tinha um presidente negacionista no poder (Pierre Nkurunziza morreu em decorrência de um ataque cardíaco em 2020). Toda a situação do país contribui para um jornalismo mais difícil. “O mercado de trabalho está ficando mais curto. O número de jornalistas de notícias e mídias online está aumentando cada vez mais. Assim, enfrentam profundas dificuldades econômicas devido à falta de recursos para pagar de fato os funcionários dos jornalistas.”

Para Anteddy-Achille, o jornalista da diáspora africana deve preservar a liberdade de imprensa como uma das suas principais prioridades, seja em termos de promoção ou publicidade, é preciso se manter atento para a sua relevância social. 

“O Jornalista no Brasil pode convidar jornalistas do Burundi  para trocar experiências sobre a melhoria de suas condições de trabalho e de vida para o resto do povo burundês. Você teria contribuído dessa forma com as pessoas do Burundi.”

Anteddy Achille Niragira

Black journalists around the world: Anteddy- Achille Niragira talks about journalism in the Republic of Burundi

Located near the source of the famous River Nile, fundamental to the development of Egyptian society, the Republic of Burundi is the country in Africa where journalist Anteddy Achille Niragira de Bujumbura lives, an independent professional who frequently works with international media, especially Deutsche Welle da Germany, and as founder/director of A-ACOMEC (Académie de Consultance in Media et Communication) in media communication.

The history of the country, which has 11.5 million inhabitants, is marked by internal conflicts, which reflects on journalistic performance, making it difficult to exercise the profession. Burundi ranks 147th in the World Press Freedom Ranking in 2021. “This country has been facing socio-political crises since its independence in 1961. During those years, people have left the country in large numbers, so there are Burundian refugees all over the world. So being a journalist under these conditions is always difficult. Without real press freedom, without real freedom of expression, censorship is the reality for local media. Journalists from international broadcasters are the ones who at least do the best. Locals are investing in entertainment and talking about the activities of the officers to protect them from prison.” – says Anteddy-Achille.

Despite all the difficulties in exercising the profession in his country, the journalist categorically affirms that it is necessary to understand the social function of journalism and its importance to promote changes. “In all the changes made around the world, the media played a role of parramount. I mean the role of the media and magazines in positively influencing decision makers and prompting them to change things. Plus, they let everyone know what’s going on anywhere and people also come to influence decision makers. leaders for change in policy and in all other sectors, for example, when they speak out. The media are the real source of inspiration for political leaders to make changes.”

Despite economic instability and food insecurity, refugees are returning to Burundi. According to the UN since 2017 at least 145,000 refugees have been helped on their way home. The COVID-19 pandemic was also a challenge for the country that had a denial president in power (Pierre Nkurunziza died of a heart attack in 2020). The whole situation in the country contributes to a more difficult journalism. “The job market is getting shorter. The number of news and online media journalists is increasing more and more. Thus, they face deep economic difficulties due to the lack of resources to actually pay journalists’ employees.”

For Anteddy-Achille, the African diaspora journalist must preserve press freedom as one of his main priorities, whether in terms of promotion or publicity, it is necessary to keep an eye on its social relevance.

“Journalists in Brazil can invite journalists from Burundi to exchange experiences on improving their working and living conditions for the rest of the Burundian people. You would have contributed in that way to the people of Burundi.”

Anteddy Achille Niragira

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