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Fala! organiza sua terceira edição na Bahia

Por: Hellowa Correa

É possível afirmar que a circulação de notícias ocorreu apenas no final do século 19 com a chegada do húngaro Joseph Pulitzer aos Estados Unidos? Obviamente que não. Entretanto, esta maneira de fazer notícia, tornou o jornalismo conhecido como quarto poder. 

Crédito: Arquivo Memória Globo

Durante muito tempo não era possível pensar em notícias sem um prédio, uma robusta equipe de reportagem, máquina de escrever, impressora e, o mais importante, o papel. Tudo isso custava muito. Sendo assim, ser o quarto poder também significava poder financeiro. O que sobrava para os periféricos, negros, indígenas? As suas histórias não podiam ser contadas por eles, mas, pela maioria de homens brancos, que compunham a redação.

 

Antonio Junião é da Ponte Jornalismo

 

Pulando para o final do século 21, a internet dá a vez a vozes plurais contarem as suas histórias. Esta é a ideia do Festival Fala!, que está em sua terceira edição. Pela primeira vez de forma híbrida. Uma parte presencial no Teatro Gregório de Mattos, Salvador, e a outra, de forma online, de 25 a 27 de agosto, totalmente gratuita. Como nos relatou Antônio Junião, diretor de arte e projetos especiais da Ponte Jornalismo, uma das organizadoras do evento.  “A ideia é que tanto o público presencial e online desfrutem de maneiras diferentes, mas com a mesma intensidade. O festival realizou as suas primeiras edições de maneira totalmente online devido às restrições impostas pela pandemia da COVID-19.”

Falando em COVID-19, Junião garante que este tema e os correlatos à pandemia como fome, população de rua, repercussões dos últimos acontecimentos estarão nas mesas de debate. O jornalismo de causas deve discutir, exigir medidas de proteção às populações afetadas. 

Terceira edição do Fala! na cidade mais negra do país

Antônio Junião explicou que a decisão das instituições organizadoras do evento tais como: Ponte Jornalismo, 1 Marco Zero Conteúdo, Papo Reto e Alma Preta Jornalismo por escolher Salvador foi justamente por ser a cidade mais negra do país. “No nosso entender, o campo do jornalismo pouco tem usado essas potências no exercício do seu fazer, privilegiando há décadas um padrão sudestino na forma e no conteúdo para pensar/elaborar comunicação de massa. Os mesmos especialistas, as mesmas fontes, os mesmos sotaques, o mesmo padrão de beleza e as mesmas agendas.” O Diretor de Projetos Especiais da Ponte Jornalismo, comenta. 

O jornalista Erisvan Guajajara da Mídia Índia marca presença no festival Fala!

A programação predominantemente conta com vários comunicadores das regiões norte e nordeste do Brasil como os jornalistas Valéria Lima, do Instituto Mídia Étnica e Portal Correio Nagô, Erisvan Guajajara, da Mídia Índia, Joyce Cursino, da Negritar Filmes e Produções, entre outros que estarão nos três dias do festival. A arte periférica também é protagonista no evento. Junião destaca a importância da ampliação de vozes e a discussão de soluções para combater a hegemonia desequilibrando oportunidades. 

As tecnologias estarão no centro dos debates do Fala! Serão trazidas algumas dificuldades no acesso, porém as mídias off-line ainda são atores fundamentais no contexto do Brasil das periferias. Segundo um dos organizadores do evento, Antonio Junião, são tecnologias sociais que pautam a cultura e arte destas comunidades.

 

Laércio Portela é do Marco Zero

Rosenildo Ferreira é do site de notícias 1 Papo Reto

Uma característica bastante interessante do Festival Fala! é a participação das instituições acadêmicas como UFBA, PUC São Paulo, UFRJ. Laércio Portela, do Marco Zero Conteúdo, também organizador do evento, respondeu que a reflexão e a maneira, que os cursos de jornalismo, vêm lidando com a influência da periferia está sendo modificada. Ele acredita que a entrada desse público periférico, racializado a Academia, forçou esta aproximação. Na sua visão, Laércio afirma que todo o jornalismo tem um posicionamento. O sentido do jornalismo precisa ser expandido para uma comunicação integrada ao povo. A partir disso, a cultura e a arte periféricas também cumprem o papel de informar. A mídia hegemônica também participará das mesas do Fala! Antônio Junião expõe que as margens , ainda de forma tímida, vem pautando o centro. Ele completa que isso também ocorre em outras formas de produção de conhecimento. O Diretor de Arte da Ponte Jornalismo defende que a circulação de notícias tem a ganhar com estas trocas.

O Fala! 2022 acredita na cultura, na arte e no jornalismo para a criação de utopias que desejamos para a sociedade de amanhã. Vamos nessa? 

 

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