Rede JP pelo mundo: Hannah Geterminah fala sobre como é ser jornalista na Libéria

Marcelle Chagas

Hannah N. Geterminah é repórter do Daily Observer Newspaper, ela é de Monrovia, capital da Libéria. Seu país tem enfrentado uma guerra civil intermitente nos últimos 20 anos e apesar dos conflitos e a intervenção de outros países, sua atuação como jornalista é pautada na relevância da profissão para as mudanças sociais. “ O jornalismo tem sido parte integrante das mudanças que ocorreram em nosso mundo recentemente e durante séculos. Os jornalistas fornecem ao público histórias investigativas, verificadas, precisas e bem pesquisadas que causam ou inspiram ações sociais contra irregularidades, que podem levar à ocorrência de mudanças. Ao longo dos anos, muitos dos avanços que foram feitos em todos os aspectos imagináveis ​​em nosso mundo vieram direta ou indiretamente de jornalistas relatando um problema ou uma situação existente. Os jornalistas são os cães de guarda da sociedade em geral; eles vão descobrindo histórias interessantes e importantes que ajudaram a tornar nosso mundo um lugar melhor para se viver.”- destaca Hannah.

Hannah N. Geterminah é repórter do Daily Observer Newspaper

A Libéria fica na  costa ocidental da África e foi  fundada em 1824 para servir de lar aos negros americanos que eram ex-escravos. Rapidamente ocorreram conflitos entre tribos nativas e os recém-chegados imigrantes, conflitos esses que iniciaram a história do país e se perpetuaram ao longo dos anos. Ocupando o número 98° na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, o mercado de trabalho para jornalistas no país reflete o impacto de toda a sua história marcada por conflitos e guerras, além da constatação do aumento da brutalidade contra os profissionais. “Temos um mercado de trabalho muito fraco para jornalistas em meu país. Não só é difícil encontrar um emprego, como também receber o pagamento é um desafio; jornalistas passam meses sem receber. Isso resultou na maioria dos jornalistas profissionais deixando a profissão por empregos públicos ou outros empregos que podem fornecer-lhes um meio de vida sustentável. Além disso, os salários da maioria dos meios de comunicação na Libéria são muito baixos e não podem nem mesmo sustentar os movimentos mensais dos repórteres; para não mencionar o sustento da família. A brutalidade constante contra jornalistas está aumentando. Os jornalistas são frequentemente alvos do governo por revelar histórias sobre atos corruptos.”

A jornalista integra o Caucus Jornalistas da SOAD (State of African Diáspora)

O atual presidente do país, George Weah, é um ex-jogador de futebol eleito em 1995 pela FIFA  como o  melhor do mundo além de receber a bola de ouro.  O ex-atleta foi o primeiro africano a receber ambos os prêmios e chegou ao poder em 2018.  Ele promulgou uma nova lei de liberdade de imprensa para a livre atuação dos profissionais em matérias e apurações que possam comprometer o governo e diretamente o presidente do país. Apesar do passo importante ainda existem muitas restrições e dificuldades. “Como forma de mostrar os atos prejudiciais contra nós e chamar a atenção do mundo para nossos sofrimentos, em março de 2020, membros do Sindicato da Imprensa da Libéria, a organização guarda-chuva de jornalistas, protestaram chamando a atenção do governo para o padrão de uso de força excessiva contra eles pelas forças de segurança do estado.”

“Há muitas histórias de impacto positivo que a África fez em todo o mundo nas quais os jornalistas da Diáspora podem se concentrar. A maioria dos profissionais da diáspora são todos africanos, o que significa que temos os melhores cérebros. Precisamos nos concentrar em escrever histórias que unirão a África e informar ao mundo que o continente tem um lado mais brilhante. Rede, compartilhamento de experiências e compartilhamento de materiais promocionais são algumas das melhores maneiras pelas quais o Brasil pode contribuir com nosso povo.”

Hannah N. Geterminah

Black journalists around the world: Hannah Geterminah on what it’s like to be a journalist in Liberia

Hannah N. Geterminah is a reporter for the Daily Observer Newspaper, she is from Monrovia, the capital of Liberia. Your country has faced an intermittent civil war in the last 20 years and despite conflicts and the intervention of other countries, your work as a journalist is based on the relevance of the profession for social change. “Journalism has been an integral part of the changes that have taken place in our world recently, and for centuries. Journalists provide the public with investigative, verified, accurate, and well-researched stories that cause or inspire social action against wrongdoing that can lead to change. Over the years, many of the advances that have been made in every aspect imaginable in our world have come directly or indirectly from journalists reporting an existing problem or situation. Journalists are society’s watchdogs at large; they discover interesting and important stories that have helped to make our world a better place to live.”- highlights Hannah..

Liberia is on the west coast of Africa and was founded in 1824 to serve as a home to black Americans who were former slaves. Conflicts quickly took place between native tribes and newly arrived immigrants, conflicts that began the country’s history and have been perpetuated over the years. Occupying number 98 in the world press freedom ranking, the job market for journalists in the country reflects the impact of its entire history marked by conflicts and wars, in addition to an increase in brutality against professionals. “We have a very weak job market for journalists in my country. Not only is it difficult to find a job, getting paid is a challenge as well; journalists go months without pay. This has resulted in most professional journalists leaving the profession for government jobs or other jobs that can provide them with a sustainable livelihood. Furthermore, the salaries of most media outlets in Liberia are very low and cannot even sustain the monthly movements of reporters; not to mention supporting the family. The constant brutality against journalists is increasing. Journalists are often targeted by the government for revealing stories about corrupt acts.”

The country’s current president, George Weah, is a former football player elected in 1995 by FIFA as the best in the world, as well as receiving the golden ball. The former athlete was the first African to receive both awards and came to power in 2018. He enacted a new press freedom law for the free action of professionals in matters and investigations that could compromise the government and the country’s president directly. Despite the important step, there are still many restrictions and difficulties. “As a way to show this harmful act against us and to draw the world’s attention to our sufferings, in March 2020 members of the Liberia Press Union, the umbrella organization of journalists, protested calling the government’s attention to the standard. of the use of excessive force against them by the state security forces.”

There are many positive impact stories that Africa has made around the world that Diaspora journalists can focus on. Most professionals in the diaspora are all Africans, which means we have the best brains. We need to focus on writing stories that will unite Africa and inform the world that the continent has a brighter side. Networking, sharing experiences and sharing promotional materials are some of the best ways Brazil can contribute to our people

Hannah N. Geterminah

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