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Nota contra as agressões sofridas por jornalistas e comunicadores negros

O aumento de casos de racismo em todo o país é notório nos últimos anos. O Brasil é composto e construído pelas mãos da população negra e indígena que são as principais vítimas deste tipo de relato.

De acordo com dados do Anuário da segurança pública, os casos de racismo no Brasil tiveram um aumento de 31%. Dos assassinatos ocorridos em 2021 no país 77,9%, das vítimas eram negras.

Ontem (28/10) acompanhamos completamente atônitos uma parlamentar armada ameaçando e coagido um homem negro desarmado pelas ruas de São Paulo após uma discussão verbal.
Embora não estivesse em exercício da profissão a vítima é jornalista.

Antes disso vimos outro homem negro, um cinegrafista da Jovem Pan, ser demitido após coagido a apagar as imagens gravadas durante um tiroteio que ocorreu durante a campanha da agenda do candidato de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

O veículo Alma Preta Jornalismo foi vítima de ameaças e ataques racistas após noticiar as ameaças sofridas pelo vereador Jhonatas Monteiro (PSOL-BA).

Vimos também recentemente um colega repórter cinematográfico da Intertv ser agredido por apoiadores do atual Presidente da República durante a cobertura da prisão do ex-deputado federal, Roberto Jefferson.

Uma repórter de economia da CNN Brasil foi agredida com golpes na cabeça enquanto caminhava pelas ruas de Curitiba. Seu crime? Usar adesivos de apoio ao candidato à presidência Lula.

São casos como estes que nos fazem confirmar que somos a personificação de tudo o que os apoiadores do atual governo abominam. Contrários a ações democráticas, ao respeito, educação e ao olhar empático para as desigualdades estruturais da nossa sociedade, são pessoas que odeiam os brasileiros e o Brasil.

Sabe por quê?

O Brasil é feito por nós! (Soares, 2019)

Fizemos questão de elencar situações que não tenham apenas ocorrido com a população negra embora tenhamos especial atenção e preocupação tendo em vista os aprofundamentos que fazem com que a morte de pessoas negras seja completamente banalizadas. De acordo com a Abraji, a violência contra o jornalista aumentou em 69,2%.

Acreditamos que boa parte do discurso de ódio produzido contra os jornalistas e a população negra se deve a propagação de desinformação e que para o pronto reestabelecimento do modelo de governo democrático é necessário que se discuta um modelo de jornalismo plural e que dê voz a todos.

Um Brasil livre da desinformação é o país da democracia!

Toda a nossa solidariedade aos colegas e apoio.

(Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação)

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