Ativa desde o fim de setembro, a Rede de Proteção Digital a Comunicadoras Negras (REPCONE) encerrou recentemente as atividades do seu Mini Grant de Articulação Local, um marco que estende seu alcance para além das fronteiras, integrando profissionais do Brasil e da Argentina. A iniciativa visa fortalecer a segurança e o suporte mútuo para mulheres negras que atuam na comunicação com ações locais, mediadas por profissionais do jornalismo, cultura e ativismo.
As bolsas de atuação haviam sido anteriormente divulgadas e, entre dezenas de inscritas de todo o país e do mundo, três profissionais foram selecionadas para implantar o projeto, representando atuações essenciais em seus territórios. São elas:
•Niara Sauwbona (Minas Gerais, Brasil): Diretora social na OSC AMBAC e diretora de meio ambiente da UCR (União das Culturas de Rua) e atuante na base comunitária em Congonhas, fazendo a ponte entre instituições e a comunidade.
•Danielle Louise (Maranhão, Brasil): Jornalista e co-fundadora/diretora de comunicação do MAI – Mulheres Aprendendo Inglês, com mais de 10 anos de experiência em jornalismo sindical, comunicação popular e independente.
•Eliane Eulálio (Buenos Aires, Argentina): Fundadora e líder do AfroColectivo Migrante de La Matanza, advogada e ativista pelos direitos humanos e contra o racismo estrutural e a xenofobia que afetam a população afro-migrante na Argentina e mentora de programas de inclusão com organizações do país.
Entre as ações e programas realizados pelas três integrantes estiveram participações e parcerias em eventos e marchas internacionais femininas, rodas de conversa personalizadas, coleta de relatos e entrevistas, criação de conteúdo personalizado, entre outras atividades.
Vozes, Expectativas e a Importância da Parceria
As atividades do Mini Grant incorporararam materiais e metodologias diretamente do curso REPCONE, realizado entre o fim de setembro e início de novembro. Ao todo as articuladoras procuraram promover meios, práticas e discussões de ajuda e suporte às comunicadoras negras no ambiente digital contra manifestações de misoginia, ataques e com o intuito de conscientização coletiva. A articulação local, nestes diferentes meios, é uma das atividades centrais propostas pela Rede, afim de incorporar os temas a distintos campos, organizações e territórios.
Para as profissionais selecionadas, a rede é um pilar de resistência. Niara enfatiza a importância do cuidado: “As articulações e trocas que nascem através da REPCONE são essenciais para criar espaços seguros de fala, escuta e acolhimento… O mais importante nessa parceria é que ela rompe o isolamento e cria redes de apoio reais. Junto ao apoio psicológico e jurídico, ela se torna uma tecnologia ancestral de sobrevivência.”
Já Danielle destaca a força do coletivo e o poder transformador do apoio mútuo: “A REPCONE representa um espaço de apoio e fortalecimento entre mulheres negras que atuam na comunicação e isso, pra mim, é revolucionário. O mais importante é o sentimento de construção conjunta. Quando diferentes mulheres e organizações se juntam, nasce algo muito potente.” Ela completa que a parceria garante que continuem contando suas próprias histórias, com segurança e autonomia.
Eliane Eulálio ressalta a dimensão transnacional do trabalho no território argentino. “Esperamos adquirir mais informação, afiançar ferramentas, nacional e internacional, ser a voz de outras mulheres e pessoas vulneráveis em outros países.” Para ela, o mais importante é a troca de experiências. “O que é mais enriquecedor é compartilhar conhecimento de direitos e leis internacional e nacional, trabalhar em conjunto, compartir histórias [e] ter apoio de outras pessoas”.
A Articulação na REPCONE
O Grant de Articulação Local foi um dos meios de ação da REPCONE, que além do curso, envolve um sistema de resposta rápida de suporte a participantes, como a Gira Terapêutica, que ofereceu atendimentos psicossociais e repasse a orientações jurídicas.
Parte do material desenvolvido pelas articuladoras será registrado em forma de um artigo, analítico sobre as experiências locais em conhecimento sobre o tema e a importância das ações feitas. Ele estará presente como um dos textos da cartilha da REPCONE, que, além de incluir este e outros artigos de teóricas e comunicadoras, incorpora guias e definições práticas de proteção digital a comunicadoras. Ele será disponibilizado agora em dezembro, após evento de lançamento oficial na Marcha das Mulheres Negras 2025.