A Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP) durante todo o ano de 2025 obteve uma série de compromissos, produções e atividades. Da participação ativa em júris, como o Prêmio Nacional de Comunicação em Justiça, até o lançamento da Rede de Proteção Digital a Comunicadoras Negras (REPCONE) e lançamentos de dois ebooks: o “Manual de Boas Práticas Antirracistas na Comunicação” e “Diversidade, Inclusão e Novos Formatos no Jornalismo Pós-Cultura Digital”, a Rede JP encerra o ano de 2025 com uma série de eventos estratégicos e potentes, confirmando seu papel central na luta por equidade racial e por um jornalismo mais justo e representativo.
As iniciativas, que se desdobram em alcances nacionais e internacionais, mostram que o movimento da Rede Jornalistas Pretos vai muito além de promover uma comunicação negra e inclusiva, mas como uma força motriz que coordena e é referência em diversos espaços, seja em movimentos mundiais, como Marcha das Mulheres Negras 2025 até academicamente em ações junta a instituições federais do país.
A seguir, compilamos os principais eventos que marcam o enriquecedor fim de ano da organização, partes fundamentais de um dos anos mais prolíficos da Rede Jornalistas Pretos. Da organização até a participação convidada, eles sumarizam a força e presença da Rede JP e de instituições parceiras em tornar a comunicação plural e inovadora.
Educação Midiática e Ética Jornalística em Foco no Piauí
No próximo dia 18 de novembro, a agenda da Rede JP se concentra na Universidade Estadual do Piauí (UESPI) com o bate-papo “Educação Midiática e Boas Práticas no Jornalismo”. Realizado em parceria com a UESPI, o evento presencial contará com a participação online da coordenadora geral Marcelle Chagas, e mediação da equipe da Universidade, liderada por Ohana Luize (Uespi).
O encontro visa aprofundar a discussão sobre o papel da educação midiática na formação de uma audiência capaz de consumir notícias de forma crítica e de jornalistas conscientes de sua responsabilidade social. Além da história da Rede JP e apresentação de algumas das atividades presentes, serão demonstrados exemplos de práticas jornalísticas inovadoras e éticas que priorizam a transparência, a escuta das comunidades e a valorização do jornalismo de qualidade. A atividade visa demonstrar como a união entre educação, digitalização e jornalismo participativo é fundamental para transformar o atual cenário da produção e consumo de notícias no país.
A participação da Rede será transmitida em tempo real exclusiva aos alunos da Universidade presencialmente. De acordo com Luize, a parceria fortalece um desejo da UESPI em ser parte de um debate importante. “É essencial e estamos imensamente felizes em podermos exercer as atividades para os alunos e convidados se conscientizarem sobre uma educação ética inclusiva no jornalismo”, frisa ela.
Resistir É Comunicar: Debatendo Violência Digital e a presença feminina negra na Marcha das Mulheres Negras
Um dos pontos altos do ano de 2025 da Rede JP está na participação da Marcha das Mulheres Negras 2025. Isto porque a Jornalistas Pretos, com a Rede de Proteção Digital a Comunicadoras Negras (REPCONE) realizará no dia 24 de novembro, a partir das 15h da tarde, em Brasília, o painel de debates “Resistir é Comunicar: Gênero, Desinformação e Violência Digital”. O evento é uma co-realização com a Universidade de Brasília (UnB) e acontece no Auditório Pompeu de Sousa, na Faculdade de Comunicação do campus da instituição, na véspera da Marcha, que ocorrerá dia 25.
De entrada gratuita, com registro prévio a ser feito através deste link, reunirá comunicadoras, pesquisadoras e lideranças de diferentes países – incluindo Sandra Chagas (Argentina), Mayara Nunes (Instituto Peregum/GriôTech), Tamika Middletown (EUA) e Alejandra Pretel (Colômbia), além das brasileiras Jacira Silva, Mayara Nunes, Waleska Barbosa, Nathália Purificação e Juliana Cezar Nunes – para debater estratégias de segurança digital e o combate à violência online direcionada a mulheres negras, indígenas e latino-americanas.
O ponto alto da atividade será o lançamento da Cartilha REPCONE sobre Proteção Digital. Este material inédito, produzido pela Rede de Proteção Digital a Comunicadoras Negras (REPCONE), reunirá orientações práticas de prevenção e acolhimento, além de artigos de reflexão e orientação sobre o tema.
Prêmio +Admirados 2025: Celebrando a excelência do Jornalismo Negro
Em sua 3ª edição, o Prêmio +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira retorna como um marco de celebração e reconhecimento para a Rede Jornalistas Pretos. Em parceria com o Jornalistas & Cia, Portal Neo Mondo e + 1 Papo Reto, a premiação reforça a visibilidade dos profissionais negros que se destacam no cenário midiático nacional em mais um ano consecutivo reverenciando grandes nomes da comunicação.
Em realização para o próximo dia 25, em São Paulo, no campus da Escola Superior de Marketing e Propaganda (ESPM), na Vila Mariana, SP, o evento distingue jornalistas em categorias como o tradicional TOP 50 Jornalistas do Ano, além de reconhecer o trabalho em Veículo Geral, Veículo Liderado por Jornalistas Negros e Profissional de Imagem/Vídeo, dando o merecido destaque aos talentos que enriquecem a comunicação brasileira com suas narrativas e perspectivas.

Lançamento de ebooks e debate sobre a importância da comunicação antirracista no Rio Grande do Sul
O mês de dezembro se inicia com um evento estratégico no Sul do país. No dia 3 de dezembro, das 19h às 21h, ocorre o Encontro Online dos Jornalistas e Estudantes de Jornalismo Pretos do Rio Grande do Sul, uma iniciativa da Secretaria de Comunicação (Secom) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em parceria com a Rede JP. O evento conta com o apoio do SindJoRS (Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul), Associação Riograndesa de Imprensa (ARI) e a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico/UFRGS), e terá a participação da coordenadora geral da Rede JP Marcelle Chagas e o jornalista Kelvyn Araújo, da Rede JP, com mediação de Wagner Machado (UFRGS).
Além de ser um espaço vital para o diálogo e o fortalecimento da rede de apoio entre profissionais e estudantes negros no estado, o encontro focará na reflexão sobre a baixa representatividade negra no jornalismo gaúcho e brasileiro (dados apontam que apenas 20% dos profissionais se autodeclaram negros no país).
O evento será palco do lançamento do “Manual de Boas Práticas Antirracistas para a Comunicação Digital” e da cartilha voltada à proteção digital de jornalistas negras. A transmissão ocorrerá no canal do YouTube da Universidade, com a notificação da live já podendo ser feita na inscrição ao canal e ativação do ícone de notificação, que será dada poucos dias antes da live.
A constante articulação pela transformação e inovação do jornalismo
Os eventos de fim de ano da Rede Jornalistas Pretos demonstram uma estratégia clara e coesa: a organização atua nas três frentes mais urgentes da comunicação contemporânea. Ao debater Educação Midiática e Antirracismo (UESPI e UFRGS), ela investe na formação de base e na produção de conhecimento essencial para mudar as práticas editoriais. Ao lançar cartilhas de Proteção Digital (Marcha das Mulheres Negras), ela lida diretamente com a segurança e a violência de gênero e raça que afetam suas integrantes. E, por fim, ao realizar o Prêmio +Admirados, ela garante o reconhecimento e a celebração dos talentos que já estão transformando a mídia.
Essa articulação, que liga a academia ao ativismo na comunicação, o Sul ao Nordeste e a segurança digital à ética, posiciona a Rede JP como uma das entidades mais dinâmicas e eficazes no combate à desigualdade racial na imprensa brasileira. Mais do que incluir, a Rede está reconfigurando a estrutura do jornalismo para que ele seja, de fato, plural, ético e comprometido com a justiça social.