Em parceria com a Revista Afirmativa, o movimento Mulheres Negras Decidem está conduzindo uma pesquisa nacional com jornalistas de todo o Brasil para investigar como a mídia tem retratado a atuação política de mulheres negras nos últimos anos. Intitulado “Experiência na cobertura jornalística do projeto político de mulheres negras”, o levantamento busca compreender de que forma os profissionais da imprensa têm narrado, interpretado e enquadrado a presença de mulheres negras na política institucional brasileira.
A iniciativa pretende identificar padrões, desafios e possibilidades na cobertura midiática, contribuindo para um jornalismo mais plural e representativo. O formulário para participação está aberto até o dia 27 de maio de 2025. Os relatos e experiências compartilhados servirão de base para a análise dos dados do levantamento. Jornalistas interessados podem participar da pesquisa através deste link.
Os resultados da pesquisa irão subsidiar a produção de uma cartilha inédita, intitulada “Mensageiras Confiáveis – um guia para cobertura do projeto político de mulheres negras”, que será lançada como ferramenta de apoio para comunicadores e veículos de imprensa em todo o país.
Detalhes e legado da pesquisa para o jornalismo
Segundo Adriane Primo, coordenadora de comunicação do Mulheres Negras Decidem, o guia será um instrumento fundamental para que o jornalismo acompanhe as transformações no cenário político. “Cada vez mais mulheres negras estão ocupando os espaços de poder e decisão na política institucional, e isso requer uma virada semiótica dos profissionais de comunicação”, afirma.
Adriane também destaca que a pesquisa busca entender os desafios enfrentados pelos profissionais da imprensa nessa cobertura. “O gargalo está na percepção inicial de que os enquadramentos das pautas e a abordagem dos temas que são caros à população negra precisam de perspectivas mais qualificadas. E isso passa pelo conhecimento sobre o trabalho que o movimento de mulheres negras tem construído ao longo de décadas.”
A cartilha será lançada ainda este ano e conta com o apoio do Instituto Ibirapitanga, uma organização filantrópica brasileira fundada em 2017. Atuando no fortalecimento da democracia e dos direitos das populações negras e indígenas, a organização reúne práticas e subsídia iniciativas nas áreas de comunicação, cultura, alimentação, segurança pública e justiça racial.
Primo finaliza, sintetizando a pesquisa e seu intuito: “Ela é uma provocação à forma como o projeto político de mulheres negras tem sido enquadrado na mídia. Muitas vezes, principalmente em período eleitoral, a mulher negra tem pouco espaço na imprensa para apresentar seu projeto político e muitas vezes está a mercê de pautas únicas, como a violência política de gênero e raça. Que, inclusive vai acompanhá-la durante praticamente toda a sua carreira política.“
Sobre o movimento Mulheres Negras Decidem
Criado em 2018, o Mulheres Negras Decidem é um movimento de incidência política que atua no fortalecimento da democracia a partir do protagonismo de mulheres negras na política institucional.
Com ações de mobilização, formação, advocacy e produção de conhecimento, o movimento visa romper com a sub-representação de mulheres negras em espaços de decisão, promovendo uma nova cultura política ancorada na justiça racial e de gênero. O coletivo trabalha na construção de imaginários democráticos e plurais, engajando sociedade civil, candidaturas, partidos políticos e meios de comunicação.